Ao que parece o Justo decidiu-se a montar um Mini Museu sobre a Guiné. Não sabemos se será em casa dele ou em casa alheia. O que sabemos é que a ideia é genial e que ele tem para começar muitos elementos que podem dar um grande avanço a essa bela ideia.
Que pena, na Guiné, não termos pensado em tudo isso, pois assim o teu Museu, o nosso Museu, seria imenso.
Aqui vão alguns testemunhos mais:
____________________
José Costa para hrjusto
....se bem me lembro, este rapaz nem era dado a munições e muito menos a armas, pois passava a vida a dormir lá no CCrípto e muitas das vezes até falhava a hora dos almoços e dos jantares... que raio lhe deu para fazer um Mini Museu da Guiné! É caso para dizer: "Tá apanhado pelo clima"!
Fora de brincadeira amigo Justo, Tás de parabéns pela ideia... vamos lá a ver se algum de nós tem guardada alguma recordação que dê para enriquecer esse museu... pela minha parte acho que não poderei ajudar... mas como sou visitante assíduo de feiras de velharias, pode ser que encontre alguma coisa alusiva à Guiné.
Bem haja amigo e companheiro, Justo (Desculpa tratar-te apenas por Justo, mas se na guerra te tratavam assim, assim vai continuar)
Costa
_______________________
Assunto: Fwd: VENHAM BRINDES.........
Raulao
Como vês já desdobrei para duas prateleiras o Mini Museu GUINE........FAXAVOR quando tiveres mais coisinhas bonitas envia cá para o JE, que muito se agradece.
Não te assustes com os balazios e a granada, porque descobri isto que estava refundido nas velharias há anos, e ao fim de 40 primaveras ressuscitaram!!!::::mas esta tudo inerte, porque eu sou parvo mas não
maluco.
XXXXX e uma perninha de GAIJA para miminhos
Justo Menezes
visite o blog inicial em: http://bart1914.blogspot.com
O novo blog, continuação do anterior.
Devido à grande quantidade de informação existente no nosso blog inicial, tivemos que criar este segundo. Fica encerrado o primeiro blog no que toca a novas mensagens, embora seja possivel continuar a fazer comentários, que procuraremos, sempre que possivel, transferrir para este novo blog. Esperamos continuar a contar com a simpatia e colaboração dos nossos companheiros, amigos e visitantes, com os seus comentários e escritos preciosos.
O endereço deste novo blog é: http://bart1914parte2.blogspot.com/
Podem continuar a visitar o anterior blog que tem o endereço:
http://bart1914.blogspot.com/
o email de serviço passa a ser unicamente o seguinte: bart1914@gmail.com
Os objectivos deste blog continuam a ser os mesmos do primeiro, ou seja, a amizade, a união, reencontro e camaradagem entre os companheiros que viveram 23 meses de guerra colonial, em Tite, na Guiné-Bissau.
____________________________________________________________________________________
O endereço deste novo blog é: http://bart1914parte2.blogspot.com/
Podem continuar a visitar o anterior blog que tem o endereço:
http://bart1914.blogspot.com/
o email de serviço passa a ser unicamente o seguinte: bart1914@gmail.com
Os objectivos deste blog continuam a ser os mesmos do primeiro, ou seja, a amizade, a união, reencontro e camaradagem entre os companheiros que viveram 23 meses de guerra colonial, em Tite, na Guiné-Bissau.
Visite o nosso blog inicial no seguinte endereço:
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Nova Sintra - crónica pelo Joaquim Caldeira
RETIRADO DO BLOG : http://ccac2314.blogspot.com/
Levantamento de rancho
Nova Sintra. Já aqui referida muitas vezes e sempre pelas razões piores. Chegámos a passar fome. E o trabalho era incessante. Andávamos todos mal nutridos e esgotados além de cheios de medo de que aquele fosse o nosso último dia. A comida era uma desgraça em qualidade –Já nem nos preocupava a qualidade – e em quantidade. Certo dia,, hora de almoçar, peguei na minha lata de Coca-Cola, à qual tinha sido retirada a tampa, e me dirigi para a improvisada cozinha onde o cabo cozinheiro fazia o melhor que podia e tinha e, nesse dia, perdi a razão. A minha lata vinha meia de água e tinha quatro feijões a nadar. E era o meu almoço, igual ao de todos, capitão incluído. Talvez para ele houvesse cinco ou seis feijões dentro do caldo. A taça, era também a lata de Coca-Cola. Danei-me. Fiz uma chinfrineira danada – por isso é que digo que me danei – e aconselhei os soldados a recusar comer.
Aí, entra em acção o segundo comandante, alferes Barros, engenheiro de profissão, homem muito sensato e que eu admirava pela sua cortesia e fair-play. Pegou-me no braço e tentou arrastar-me para longe dos soldados. Eu não aceitei e continuei a reclamar e a aconselhar o levantamento de rancho. Estava cheio de fome e aquilo não era comida suficiente para o resto do dia que se adivinhava muito trabalhoso e difícil.
Com uma calma que só o bom do alferes Barros, lá me fez acalmar e sugeriu-me que repetisse a dose, se ainda desse para repetir.
A custo, aceitei a sugestão dele mas entendia que era injusto eu poder repetir só porque tinha reclamado e, os restantes terem que ficar só pela dose de água e quatro feijões. E não repeti.
Interveio o capitão que me disse que podia acontecer eu ser preso pelo delito que estava a cometer e que devia dar bons exemplos, dada a minha posição de comandante de secção, etc. etc.
E assim ficou a minha rebelião que, afinal não chegou a servir para nada.
A pista de Nova Sintra
Algum tempo depois da nossa estada em Nova Sintra recebemos instruções para ir fazer segurança ao rio onde estava um batelão com carga para nós. Esse batelão transportava alimentos, munições, material para abrigos e... uma máquina de terraplanagem. Coisa inédita. Eu nem imaginava que pudesse haver uma coisa daquelas naquela terra. Mas havia e foi-nos entregue. Para que serve? Bem. Foi muito útil pois permitia em três tempos escavar um buraco com dois metros de profundidade, vinte de comprimento e mais de dois de largura. Se tivesse que ser aberto à mão era uma eternidade, a avaliar pelo esforço que despendemos nos primeiros dias em que tudo foi feito à mão.
Entretanto, um ataque que sofremos causou baixas em homens, equipamentos, abrigos e... na máquina. Esteve cerca de oito dias inoperacional. Penso que foi uma granada que lhe rebentou com um rodado. Finalmente, foi reparada. E agora, para que serve? O seu condutor levou-a para sul do quartel, numa zona de pouco mato e muito inclinada em direcção à mata onde havia o poço de abastecimento de água e vai de começar a fazer terraplanagens. É para a pista. Pista? Mas aquilo é tão inclinado. Como é que os aviões ali aterram e descolam? Mas a verdade é que foi mesmo para a pista. E eu fiquei a saber que as aterragens eram efectuadas com o avião virado para a parte que descia e a descolagem no sentido inverso, a subir. Como é possível que desenvolvam uma velocidade que permita a descolagem em terreno tão inclinado e consigam parar em inclinação a descer? Poi é. Mas era assim mesmo. E resultou.
Foi dessa pista que, mais tarde, foram evacuados, por avião, os feridos e o morto que eu relatei no episódio da mina que deixou um tronco sem pernas e sem braços.
Lá vou eu, de novo, a caminho de Nova Sintra, deste vez comboiar alguns militares da unidade lá aquartelada. Meus, eram para aí vinte homens. De Nova Sintra apenas quatro. Mas alguém havia de fazer segurança para que eles chegassem bem. Saímos de Tite pelas três horas, numa madrugada chuvosa e escura. Pedi ao Zé Carlos, o enfermeiro, que seguisse ao meu encalce. Sempre poderíamos falar se fosse preciso.
Desta vez não me fazia acompanhar de guia, pois que o caminho era já sobejamente conhecido, embora nunca trilhássemos o mesmo. Lá íamos seguindo perto da picada que já nos era familiar, umas vezes à direita, outras à esquerda.
Tínhamos passado Gatongó e informei, via rádio, que tudo seguia normal. A chuva era cada vez mais intensa, mas chuva civil não molha militares. A previsão de chegada era pelas oito horas e tinha combinado que um pelotão de Nova Sintra viria ao meu encontro logo que houvesse luz para nos podermos juntar sem problemas.
BUMMMMMMMMM......... Grande estrondo. Alguém tinha pisado uma mina. Após os procedimentos que se impunham, tentei saber quem tinha sido o infeliz. Mas ninguém sabia quem teria sido e não se via nada que pudesse indiciar homem ferido. Tanto pior. Um soldado dos meus, já me não recordo de qual. Disse-me que tinha voado por cima de mim e estava bastante ferido num braço, provocado pela queda. Entreguei-o ao Zé Carlos e continuei as buscas, ajudado por quem estivesse são. Três homens vieram ter comigo. Um caminhava amparado pelos outros dois e pensei que estivesse encontrado o infeliz. Mas não. Era mais um, furriel de Nova Sintra, que nunca cheguei a conhecer, que tinha perdido os dois olhos. Já não tinha dúvidas de que ainda havia outro. Este tinha os dois pés. O Zé Carlos não tinha mãos a medir e o Lourenço, o radiotelegrafista, não parava de comunicar com o furriel Garcia, este em Tite, o que se ia passando.
Após cerca de meia hora de buscas alguém tropeçou numa coisa que parecia ser um corpo. Sem luz não era fácil saber do que se tratava porque até podia ser um animal que tivesse, ao fugir de nós, ter pisado a mina. Fui verificar e após ter revirado o que restava, apurei que era uma cabeça presa a um tronco sem pernas e sem braços. Despi o meu blusão se embrulhei-o o melhor que pude, pedi a alguém que o carregasse e pedi ao Zé Carlos que o mantivesse vivo. A força aérea não evacuava mortos. A única maneira, disponível, era injectar CORAMINA e, sem saber, abreviámos-lhe a morte. Pobre dele. Já não sentia sequer que vivia. Nunca cheguei a saber quem era. Chegados a Nova Sintra, consegui convencer a enfermeira paraquedista a levá-lo no avião, como se ainda estivesse vivo. Ela não era trouxa mas compreendeu o meu problema que sabia que eu teria de carregá-lo, de regresso a Tite, o que só poderia acontecer no dia seguinte, durante a noite.
E assim se passou mais um episódio. Júlio Garcia, tu lembras-te muito bem. Comenta este episódio, tal como poderás comentar as restantes. Tu também os viveste. Só o Zé Carlos não pode por ter falecido pouco tempo após termos regressado a Portugal.
E lá me estive a conversar com os dois, falando de que? Já não sei. Mas não devia ser nada diferente do que cheirasse a guerra. Ou a mulheres, coisa que não víamos há muito.
O meu guia, soldado preto e natural da Guiné, passou por mim e informou-me que iria deitar-se Sugeri-lhe que se deitasse ao lado da minha arma que estava à entrada do abrigo pois que eu também não tardaria a ir. Havia muitos mosquitos e, ao menos deitado tinha a protecção da rede mosquiteira.
E foi então que começou o ataque que já mencionei e que fez um morto, o meu guia, e ferido todos os restantes, alguns com gravidade.
Mas não estou a recontar a história para encher espaço. Na verdade há nela algo de muito trágico e até hilariante, passados tantos anos.
Após cerca de meia hora a fazer fogo contínuo, o morteiro aqueceu tanto que o Machado gritou para o Meleiro. O cano está muito quente. Não o aguento. Mas o Meleiro, transmontano de Urrós, junto às margens do Douro, teve uma solução. Gritou-lhe que enrolasse a camisa ao cano. Isto resultou durante algum, muito pouco tempo. Depois o Machado voltou a gritar: Tenho que parar. Não suporto o cano em brasa.
MEIJA-LE, gritou o Meleiro.
Ora eu não sei se se escreve assim, embora tenha presente que se trata de uma forma do verbo mijar. Mas não importa para aqui a forma ou o conteúdo. O que importa é que o Machado descarregou a bexiga à volta do cano e assim pôde continuar de fazer fogo.
O resto da história já foi contado. É trágico demais para ser repetido.
Foi mesmo isso. Ainda não estávamos refeitos do desastre de Bissássema e já estávamos metidos a construir um quartel no meio do nada, no cruzamento do que teria sido Nova Sintra.
Esta foi ainda mais difícil que a anterior. Só sei que estava a fazer uma ronda pelos postos avançados quando fui alvo de um tiro de canhão que iniciou o grande ataque a Nova Sintra.
Esse tiro de canhão entrou no meu abrigo, matou o meu guia - eu estava fora - que sorte, e feriu toda a guarnição. Durante cerca de uma hora o fogo foi de uma intensidade que em Tite já havia quem rezasse por nós. No meio disto até ficámos sem comunicações porque o único rádio operacional foi destruído por uma bala de canhão que rebentou nas redondezas e ainda feriu o capitão.
Durante todo o ataque eu não ouvi resposta de fogo do meu abrigo. Só que não podia levantar a cabeça para ir lá. Quando, por fim lá cheguei tive um desabafo parecido com este. Aos berros gritei: Seus filhos da puta! Então ninguém faz fogo? o cabo Melo respondeu-me com voz sumida: estamos todos feridos, meu furriel. Entrei em pânico. E agora? Corri para o capitão a pedir ajuda médica e vi-o , com ar pensativo, um dedo na testa, a olhar para mim com cara de sofrimento. Fiquei furioso. Então este gajo está a pensar na morte da bezerra em vez de se agarrar ao rádio e pedir reforços e socorro? E disse-lhe: Meu capitão: Tenho um morto e o resto estão todos feridos. Respondeu-me com o dedo na testa; Também estou ferido. E tirou o dedo da testa e o sangue jorrava pelo buraco que estava por baixo.
Também foi um dos evacuados. Mas teve o cuidado de ser o último, por respeito para com os restantes feridos. Grande homem, este capitão, hoje coronel, grande amigo e alvo de sofrimentos familiares inenarráveis.
Depois deste ataque, seguiram-se muitos mais, de menos intensidade. Pouco haveria a realçar, não fosse a fome que passávamos. Até que fomos substituídos. Ainda lá voltei muitas vezes para guarnecer a unidade que nos substituiu e uma vez para comboiar pessoal de passagem por Tite com destino àquele inferno. Foi nessa ocasião que, durante a noite muito chuvosa, tive um morto e vários feridos numa mina. Falarei disso mais adiante.
Levantamento de rancho
Nova Sintra. Já aqui referida muitas vezes e sempre pelas razões piores. Chegámos a passar fome. E o trabalho era incessante. Andávamos todos mal nutridos e esgotados além de cheios de medo de que aquele fosse o nosso último dia. A comida era uma desgraça em qualidade –Já nem nos preocupava a qualidade – e em quantidade. Certo dia,, hora de almoçar, peguei na minha lata de Coca-Cola, à qual tinha sido retirada a tampa, e me dirigi para a improvisada cozinha onde o cabo cozinheiro fazia o melhor que podia e tinha e, nesse dia, perdi a razão. A minha lata vinha meia de água e tinha quatro feijões a nadar. E era o meu almoço, igual ao de todos, capitão incluído. Talvez para ele houvesse cinco ou seis feijões dentro do caldo. A taça, era também a lata de Coca-Cola. Danei-me. Fiz uma chinfrineira danada – por isso é que digo que me danei – e aconselhei os soldados a recusar comer.
Aí, entra em acção o segundo comandante, alferes Barros, engenheiro de profissão, homem muito sensato e que eu admirava pela sua cortesia e fair-play. Pegou-me no braço e tentou arrastar-me para longe dos soldados. Eu não aceitei e continuei a reclamar e a aconselhar o levantamento de rancho. Estava cheio de fome e aquilo não era comida suficiente para o resto do dia que se adivinhava muito trabalhoso e difícil.
Com uma calma que só o bom do alferes Barros, lá me fez acalmar e sugeriu-me que repetisse a dose, se ainda desse para repetir.
A custo, aceitei a sugestão dele mas entendia que era injusto eu poder repetir só porque tinha reclamado e, os restantes terem que ficar só pela dose de água e quatro feijões. E não repeti.
Interveio o capitão que me disse que podia acontecer eu ser preso pelo delito que estava a cometer e que devia dar bons exemplos, dada a minha posição de comandante de secção, etc. etc.
E assim ficou a minha rebelião que, afinal não chegou a servir para nada.
Algum tempo depois da nossa estada em Nova Sintra recebemos instruções para ir fazer segurança ao rio onde estava um batelão com carga para nós. Esse batelão transportava alimentos, munições, material para abrigos e... uma máquina de terraplanagem. Coisa inédita. Eu nem imaginava que pudesse haver uma coisa daquelas naquela terra. Mas havia e foi-nos entregue. Para que serve? Bem. Foi muito útil pois permitia em três tempos escavar um buraco com dois metros de profundidade, vinte de comprimento e mais de dois de largura. Se tivesse que ser aberto à mão era uma eternidade, a avaliar pelo esforço que despendemos nos primeiros dias em que tudo foi feito à mão.
Entretanto, um ataque que sofremos causou baixas em homens, equipamentos, abrigos e... na máquina. Esteve cerca de oito dias inoperacional. Penso que foi uma granada que lhe rebentou com um rodado. Finalmente, foi reparada. E agora, para que serve? O seu condutor levou-a para sul do quartel, numa zona de pouco mato e muito inclinada em direcção à mata onde havia o poço de abastecimento de água e vai de começar a fazer terraplanagens. É para a pista. Pista? Mas aquilo é tão inclinado. Como é que os aviões ali aterram e descolam? Mas a verdade é que foi mesmo para a pista. E eu fiquei a saber que as aterragens eram efectuadas com o avião virado para a parte que descia e a descolagem no sentido inverso, a subir. Como é possível que desenvolvam uma velocidade que permita a descolagem em terreno tão inclinado e consigam parar em inclinação a descer? Poi é. Mas era assim mesmo. E resultou.
Foi dessa pista que, mais tarde, foram evacuados, por avião, os feridos e o morto que eu relatei no episódio da mina que deixou um tronco sem pernas e sem braços.
Lá vou eu, de novo, a caminho de Nova Sintra, deste vez comboiar alguns militares da unidade lá aquartelada. Meus, eram para aí vinte homens. De Nova Sintra apenas quatro. Mas alguém havia de fazer segurança para que eles chegassem bem. Saímos de Tite pelas três horas, numa madrugada chuvosa e escura. Pedi ao Zé Carlos, o enfermeiro, que seguisse ao meu encalce. Sempre poderíamos falar se fosse preciso.
Desta vez não me fazia acompanhar de guia, pois que o caminho era já sobejamente conhecido, embora nunca trilhássemos o mesmo. Lá íamos seguindo perto da picada que já nos era familiar, umas vezes à direita, outras à esquerda.
Tínhamos passado Gatongó e informei, via rádio, que tudo seguia normal. A chuva era cada vez mais intensa, mas chuva civil não molha militares. A previsão de chegada era pelas oito horas e tinha combinado que um pelotão de Nova Sintra viria ao meu encontro logo que houvesse luz para nos podermos juntar sem problemas.
BUMMMMMMMMM......... Grande estrondo. Alguém tinha pisado uma mina. Após os procedimentos que se impunham, tentei saber quem tinha sido o infeliz. Mas ninguém sabia quem teria sido e não se via nada que pudesse indiciar homem ferido. Tanto pior. Um soldado dos meus, já me não recordo de qual. Disse-me que tinha voado por cima de mim e estava bastante ferido num braço, provocado pela queda. Entreguei-o ao Zé Carlos e continuei as buscas, ajudado por quem estivesse são. Três homens vieram ter comigo. Um caminhava amparado pelos outros dois e pensei que estivesse encontrado o infeliz. Mas não. Era mais um, furriel de Nova Sintra, que nunca cheguei a conhecer, que tinha perdido os dois olhos. Já não tinha dúvidas de que ainda havia outro. Este tinha os dois pés. O Zé Carlos não tinha mãos a medir e o Lourenço, o radiotelegrafista, não parava de comunicar com o furriel Garcia, este em Tite, o que se ia passando.Após cerca de meia hora de buscas alguém tropeçou numa coisa que parecia ser um corpo. Sem luz não era fácil saber do que se tratava porque até podia ser um animal que tivesse, ao fugir de nós, ter pisado a mina. Fui verificar e após ter revirado o que restava, apurei que era uma cabeça presa a um tronco sem pernas e sem braços. Despi o meu blusão se embrulhei-o o melhor que pude, pedi a alguém que o carregasse e pedi ao Zé Carlos que o mantivesse vivo. A força aérea não evacuava mortos. A única maneira, disponível, era injectar CORAMINA e, sem saber, abreviámos-lhe a morte. Pobre dele. Já não sentia sequer que vivia. Nunca cheguei a saber quem era. Chegados a Nova Sintra, consegui convencer a enfermeira paraquedista a levá-lo no avião, como se ainda estivesse vivo. Ela não era trouxa mas compreendeu o meu problema que sabia que eu teria de carregá-lo, de regresso a Tite, o que só poderia acontecer no dia seguinte, durante a noite.
E assim se passou mais um episódio. Júlio Garcia, tu lembras-te muito bem. Comenta este episódio, tal como poderás comentar as restantes. Tu também os viveste. Só o Zé Carlos não pode por ter falecido pouco tempo após termos regressado a Portugal.
Nova Sintra (10-05-1968
A noite estava muito quente e havia algum luar. Eu pousei a arma no meu buraco e fui bater um papo com os homens do morteiro 60. Eram o Machado e o Meleiro. Este era o municiador, em substituição do Rebouta que fora ferido uns dias antes. Faziam uma boa equipa por serem quase conterrâneos. O Machado, homem corpulento, era o apontador.E lá me estive a conversar com os dois, falando de que? Já não sei. Mas não devia ser nada diferente do que cheirasse a guerra. Ou a mulheres, coisa que não víamos há muito.
O meu guia, soldado preto e natural da Guiné, passou por mim e informou-me que iria deitar-se Sugeri-lhe que se deitasse ao lado da minha arma que estava à entrada do abrigo pois que eu também não tardaria a ir. Havia muitos mosquitos e, ao menos deitado tinha a protecção da rede mosquiteira.
E foi então que começou o ataque que já mencionei e que fez um morto, o meu guia, e ferido todos os restantes, alguns com gravidade.
Mas não estou a recontar a história para encher espaço. Na verdade há nela algo de muito trágico e até hilariante, passados tantos anos.
Após cerca de meia hora a fazer fogo contínuo, o morteiro aqueceu tanto que o Machado gritou para o Meleiro. O cano está muito quente. Não o aguento. Mas o Meleiro, transmontano de Urrós, junto às margens do Douro, teve uma solução. Gritou-lhe que enrolasse a camisa ao cano. Isto resultou durante algum, muito pouco tempo. Depois o Machado voltou a gritar: Tenho que parar. Não suporto o cano em brasa.
MEIJA-LE, gritou o Meleiro.
Ora eu não sei se se escreve assim, embora tenha presente que se trata de uma forma do verbo mijar. Mas não importa para aqui a forma ou o conteúdo. O que importa é que o Machado descarregou a bexiga à volta do cano e assim pôde continuar de fazer fogo.
O resto da história já foi contado. É trágico demais para ser repetido.
Operação Nova Sintra
Quem havia de dizer que tínhamos andado a construir uma estrada- picada- para nos atolarmos nela.Foi mesmo isso. Ainda não estávamos refeitos do desastre de Bissássema e já estávamos metidos a construir um quartel no meio do nada, no cruzamento do que teria sido Nova Sintra.
Esta foi ainda mais difícil que a anterior. Só sei que estava a fazer uma ronda pelos postos avançados quando fui alvo de um tiro de canhão que iniciou o grande ataque a Nova Sintra.
Esse tiro de canhão entrou no meu abrigo, matou o meu guia - eu estava fora - que sorte, e feriu toda a guarnição. Durante cerca de uma hora o fogo foi de uma intensidade que em Tite já havia quem rezasse por nós. No meio disto até ficámos sem comunicações porque o único rádio operacional foi destruído por uma bala de canhão que rebentou nas redondezas e ainda feriu o capitão.
Durante todo o ataque eu não ouvi resposta de fogo do meu abrigo. Só que não podia levantar a cabeça para ir lá. Quando, por fim lá cheguei tive um desabafo parecido com este. Aos berros gritei: Seus filhos da puta! Então ninguém faz fogo? o cabo Melo respondeu-me com voz sumida: estamos todos feridos, meu furriel. Entrei em pânico. E agora? Corri para o capitão a pedir ajuda médica e vi-o , com ar pensativo, um dedo na testa, a olhar para mim com cara de sofrimento. Fiquei furioso. Então este gajo está a pensar na morte da bezerra em vez de se agarrar ao rádio e pedir reforços e socorro? E disse-lhe: Meu capitão: Tenho um morto e o resto estão todos feridos. Respondeu-me com o dedo na testa; Também estou ferido. E tirou o dedo da testa e o sangue jorrava pelo buraco que estava por baixo.
Também foi um dos evacuados. Mas teve o cuidado de ser o último, por respeito para com os restantes feridos. Grande homem, este capitão, hoje coronel, grande amigo e alvo de sofrimentos familiares inenarráveis.
Depois deste ataque, seguiram-se muitos mais, de menos intensidade. Pouco haveria a realçar, não fosse a fome que passávamos. Até que fomos substituídos. Ainda lá voltei muitas vezes para guarnecer a unidade que nos substituiu e uma vez para comboiar pessoal de passagem por Tite com destino àquele inferno. Foi nessa ocasião que, durante a noite muito chuvosa, tive um morto e vários feridos numa mina. Falarei disso mais adiante.
Para ver as fotos e outros artigos publicados, vale a pena visitar o blog da CCAÇ 2314 http://ccac2314.blogspot.com/
Nova Sintra - ainda a foto
Por indicação do Alf. Vaz Alves, fui verificar o verso da foto em questão, que está temporariamente em meu poder, para confirmar a data. E na verdade a data que lá está é de 5 de Junho de 1968, foto esta que foi oferecida ao Alf. Vaz Alves pelo então Ten. Cor Hélio Felgas, conforme se demonstra pela cópia acima.
LG.
LG.
Solidão
Pela mão do José Justo, chegou-nos um excelente artigo sobre a infancia e a velhice, publicado no Expresso online.
Por qualquer razão técnica não o conseguimos publicar.
Com a devida vénia ao Expresso e ao seu jornalista Pedro Neves, sugerimos a todos a leitura deste artigo e a consulta dos videos que lhe estão juntos.
.
.
Quando abrir o site, deixe estabilizar até aos 100% e depois pode navegar.
Mas o texto na totalidade é o seguinte:
“Solidão
“Se uma pessoa sentir quando está morrendo que,
embora ainda viva, deixou de ter significado para os outros,
essa pessoa está verdadeiramente só”
Norbert Elias
Há pouco mais de dois anos filmei o Sr. Arménio. Vivia num quarto de pensão, em frente à estação de Campanhã, no Porto. Vivia só. Vivia uma vida de rotinas que deixavam passar o tempo. Vivia uma vida em que um dia se seguia ao outro. Pouco mais. O Sr. Arménio esperava, lentamente, que o seu tempo terminasse. Temia mais a vida que a própria morte. Temia a angústia, o isolamento, o abandono, o desprezo. O Sr. Arménio sentia saudades. Sentia saudades todos os dias. Não aguentava a memória de dias felizes, dos dias em que uma mão lhe afagou o cabelo, em que a mãe o pegou ao colo, em que o pai lhe deu um beijo. Já tinham passado tantos anos desde que tinham morrido. Mas eram uma recordação bem viva na sua cabeça. O Sr. Arménio tinha uma vida de memórias passadas, desprovida de vida no presente. O Sr. Arménio não conseguia vislumbrar o futuro. As quatro paredes, onde cabia uma cama, um pequeno armário e um lavatório, esmagavam-no, faziam-no escutar o silêncio dos dias, o ruído da solidão que lhe invadia a cabeça. Pedia à Nossa Senhora que o levasse, que lhe tirasse as dores físicas da idade. Contudo, o que mais pedia era que o ajudassem a sair da solidão, do isolamento a que tinha sido vetado pelos amigos que já não tinha, pela família que perdera. Todos os dias pedia a morte.
Trabalhou muito, dizia. Cavou terra, ajudou a natureza crescer. Dizia que quando um indivíduo morre não leva nada com ele que não o seu próprio corpo. O resto fica, permanece. Ou desaparece, por vezes sem deixar rasto.
Foi quando pensei que queria entender porque se teme mais a solidão que a própria morte. Como vive alguém que já teve alguém, que já não tem, que já não tem ninguém. Como vive com os seus pensamentos e como convive com as memórias de uma vida passada.
Estes pensamentos fizeram-me reflectir no meu próprio futuro. Todos caminhamos para a velhice, não há como fugir ou ignorar.
Tenho a sorte de, aos 34 anos, ainda ter dois avós vivos e com saúde. Vivem os dois, casados há 65 anos. Têm-se um ao outro. Têm também o resto da família com eles. É difícil querer-se mais. Não consigo suportar a ideia de que um dia um deles vai ficar só, vai ter de reorganizar o resto da sua vida de um modo para o qual não está preparado. Não fomos feitos para viver sós.
Durante mais de dois meses, procurei pessoas que vivessem sós e que estivessem dispostos a contar as suas histórias.
Alguns acharam que não tinham nada para contar. Mas têm. Têm sempre. Muitas vezes não têm é quem os queira ouvir, aprender com eles e com as suas experiências, ouvir os seus medos e anseios.
Andei pelo interior e pelo litoral, pelo campo e pela cidade. São duas realidades diferentes, modo de estar distintos. Mas a solidão está lá. Só o modo como se encara é diferente. Passa a fazer parte da vida. Umas vezes aceita-se melhor, outras vezes pior.
Percebi que os que a aceitavam melhor eram os que, de alguma forma, tinham apoio. Eram aqueles que recebiam visita da família ou dos vizinhos, do lar ou da segurança social. No fundo, eram aqueles que tinham com quem falar, nem que fosse por alguns minutos, que sabiam que não iriam passar oito anos mortos no chão da sala ou da cozinha, pois alguém haveria de os encontrar. Ninguém quer ser deixado ao abandono. Nem depois de morto.
A série documental que vai ser publicada nas próximas semanas tem como objectivo fazer-nos reflectir, pensar sobre o tipo de sociedade em que vivemos, para onde caminha o mundo que estamos a construir. Pensar se respeitamos suficientemente os nossos idosos, se os fazemos sentirem-se úteis, se queremos aprender com eles o que não podemos aprender com mais ninguém e em mais lado nenhum. Um dia, também eles foram jovens. Um dia, também nós seremos velhos.
Um país que não respeita as suas crianças ou os seus idosos é um país que não tem respeito por si próprio. E que não merece respeito.
Pedro Neves"
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
CART 1802 - breve história
Com a devida vénia ao blog LUIS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ, TRANSCREVEMOS A SEGUIR A HISTÓRIA DA cart 1802, BEM COMO A DIVULGAÇÃO DUMA BROCHURA ENTRETANTO FEITA MAS NÃO PUBLICADA.
_________________________
1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Janeiro de 2011:
Queridos amigos,
Pesquisa Ponta do Inglês e chega-se ao autor da história da CART 1802, uma história muito bonita de alguém que fez uma comissão militar em Moçambique e que se tornou amigo de alguém que fez comissão militar na Guiné e que se rendeu ao seu entusiasmo. Para que conste, é uma brochura singela e estamos muito carentes de brochuras como estas.
Um abraço do
Mário
________________________
A história da Companhia de Artilharia 1802
Beja Santos
Queridos amigos,
Pesquisa Ponta do Inglês e chega-se ao autor da história da CART 1802, uma história muito bonita de alguém que fez uma comissão militar em Moçambique e que se tornou amigo de alguém que fez comissão militar na Guiné e que se rendeu ao seu entusiasmo. Para que conste, é uma brochura singela e estamos muito carentes de brochuras como estas.
Um abraço do
Mário
________________________
A história da Companhia de Artilharia 1802
Beja Santos
"Às vezes, a intenção é tudo. Manuel Pedro Dias, que prestou serviço militar em Moçambique fez amizade com Manuel Balhau (proprietário da Gráfica 2000) e que prestou serviço militar na Guiné. Manuel Pedro Dias deitou mãos ao trabalho, consultou no Arquivo Histórico-Militar a história da CART 1802, e fez-se brochura.
É um exemplo para muitos. Temos aqui um documento sóbrio, destacando as principais andanças, não descurando o In Memoriam e mostrando até os guiões dos outros batalhões (BART 1914 incluido) com quem os “Pioneiros da Nova Sintra” tiveram articulação. Coisa bonita.
A CART 1802 andou por Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, S. João, Nova Sintra e Jabadá, ou seja percorreram o Sul, Centro e Norte. Tiveram ainda pelotões destacados em Enxudé e ilha de Jeta.
Foram mobilizados pelo Regimento de Artilharia 3 (Évora), a sua divisa era “Honra e Glória”. Uma comissão que se estendeu de Outubro de 1967 a Agosto de 1969. Mal desembarcados, seguiram para Farim; depois de treino operacional participaram numa operação na Ponta do Inglês e noutra em Binar, em ambas tiveram mortos e feridos.
Estavam de intervenção ao Comando-Chefe. Começaram o ano de 1968 numa operação em Binar e depois partiram para S. João, aqui construíram abrigos, patrulharam e limparam itinerários com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BART 1914. É um período de intensa actividade operacional. Em Outubro vão para Jabadá dois pelotões, um outro fica em S. João e mais outro em Enxudé. Em Março, uma parte da companhia chega a Teixeira Pinto, vão para a ilha de Jeta e para o Pelundo. A partir daqui, apoiam trabalho de desmatação na estrada Teixeira Pinto – Bachile, bem como na estrada Pelundo – Có. Em Agosto de 1969, a 1802 recolhe a Bula, seguindo depois para Bissau.
Encontrei estes elementos enquanto pesquisava dados e factos referentes à Ponta do Inglês. Foi assim que cheguei ao conhecimento da brochura que Manuel Pedro Dias me emprestou. Bom seria que toda esta documentação aparecesse em linguagem de divulgação, ao alcance de todos."
É um exemplo para muitos. Temos aqui um documento sóbrio, destacando as principais andanças, não descurando o In Memoriam e mostrando até os guiões dos outros batalhões (BART 1914 incluido) com quem os “Pioneiros da Nova Sintra” tiveram articulação. Coisa bonita.
A CART 1802 andou por Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, S. João, Nova Sintra e Jabadá, ou seja percorreram o Sul, Centro e Norte. Tiveram ainda pelotões destacados em Enxudé e ilha de Jeta.
Foram mobilizados pelo Regimento de Artilharia 3 (Évora), a sua divisa era “Honra e Glória”. Uma comissão que se estendeu de Outubro de 1967 a Agosto de 1969. Mal desembarcados, seguiram para Farim; depois de treino operacional participaram numa operação na Ponta do Inglês e noutra em Binar, em ambas tiveram mortos e feridos.
Estavam de intervenção ao Comando-Chefe. Começaram o ano de 1968 numa operação em Binar e depois partiram para S. João, aqui construíram abrigos, patrulharam e limparam itinerários com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BART 1914. É um período de intensa actividade operacional. Em Outubro vão para Jabadá dois pelotões, um outro fica em S. João e mais outro em Enxudé. Em Março, uma parte da companhia chega a Teixeira Pinto, vão para a ilha de Jeta e para o Pelundo. A partir daqui, apoiam trabalho de desmatação na estrada Teixeira Pinto – Bachile, bem como na estrada Pelundo – Có. Em Agosto de 1969, a 1802 recolhe a Bula, seguindo depois para Bissau.
Encontrei estes elementos enquanto pesquisava dados e factos referentes à Ponta do Inglês. Foi assim que cheguei ao conhecimento da brochura que Manuel Pedro Dias me emprestou. Bom seria que toda esta documentação aparecesse em linguagem de divulgação, ao alcance de todos."
lg.
CCAÇ 2314 - convivio anual.
Convívio de 2011
Companheiros:
Chegou a altura de começar a dar notícias. O nosso convívio está próximo e é importante lembrar que este ano foi marcado, conforme se devem lembrar, para Setembro. Assim, recaiu na data de 03 de Setembro, Sábado, e terá lugar no Gerês. A concentração será pelas 10 horas no largo da igreja de São Bento da Porta Aberta.
O almoço será servido no Restaurante Belas Vista, em Cerdeirinhas, Tabuaças e dista de São Bento 10,5 Km do local da concentração.
O programa e a foto do local, bem como a ementa, estão publicados no blog da CCAÇ 2314:
Chegou a altura de começar a dar notícias. O nosso convívio está próximo e é importante lembrar que este ano foi marcado, conforme se devem lembrar, para Setembro. Assim, recaiu na data de 03 de Setembro, Sábado, e terá lugar no Gerês. A concentração será pelas 10 horas no largo da igreja de São Bento da Porta Aberta.
O almoço será servido no Restaurante Belas Vista, em Cerdeirinhas, Tabuaças e dista de São Bento 10,5 Km do local da concentração.
O programa e a foto do local, bem como a ementa, estão publicados no blog da CCAÇ 2314:
.
Até lá vão estando atentos ao BLOG da CCAÇ 2314, pois pode ser que tenha novidades.
tlm. 933538890
email: joaquimcaldeira@netcabo.pt Até lá vão estando atentos ao BLOG da CCAÇ 2314, pois pode ser que tenha novidades.
tlm. 933538890
Joaquim Caldeira
domingo, 14 de agosto de 2011
Nova Sintra - memórias (continuação)
Do nosso companheiro Joaquim Caldeira da CCAÇ 2314, transcrevemos os relatórios que nos enviou.
Joaquim Caldeira
sábado, 13 de agosto de 2011
Figos de pita, para o Sr. Hipólito...
A nossa colega "de escola" além de fazer o favor de ser nossa leitora assídua, entendeu também ensinar o Hipólito a apanhar e a comer figos de pita. Assim ele queira...
- Como visitante assídua do Blog BART 1914, acabei de ler um "post" onde alguém faz uma breve alusão aos "FIGOS DE PITA", referindo que: ".....picam mais que os ouriços-cacheiros......"
É verdade que sim, picam mesmo, mas só a quem não os sabe apanhar...., porque a técnica para sair ileso de tal tarefa, só os Algarvios conhecem e fazem-no na perfeição, aliás a técnica não é só para os apanhar, mas também para os descascar.......
Mas são tão saborosos !!!!......
Quem estiver interessado em aprender é só dizer, pois de imediato se disponibilizará a "receita" para apanhar e comer esse fruto delicioso.....
É verdade que sim, picam mesmo, mas só a quem não os sabe apanhar...., porque a técnica para sair ileso de tal tarefa, só os Algarvios conhecem e fazem-no na perfeição, aliás a técnica não é só para os apanhar, mas também para os descascar.......
Mas são tão saborosos !!!!......
Quem estiver interessado em aprender é só dizer, pois de imediato se disponibilizará a "receita" para apanhar e comer esse fruto delicioso.....
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Procurando familiar do BCAV 490.
Olá
Meu nome é Rui Manuel dos Santos Pires nascido en Lisboa no ano
1967, filho de Jose Antonio Pires nascido en Veiros-Extremoz, neto
de Domingos Tomaz Pires
Gostava saber se alguém pode me ajudar em conseguir informações de meu pai, pois eu trouxe para a Espanha em 1974 e nunca conheceu meu pai so ten estes datos dei que foi para a Guiné.
Nome do meu pai:
> Jose Antonio Pires
> Datos de o meu pai.
> Nascido en Veiros-Extremoz
> Data nascimento a duas pode ser.: 9/6/1944 o 19/7/1942
>
> Nomo do Pai meu pai: Domigos Tomáz Pires
>> Tirou a recruta no Quartel em Beja, depois já pronto veio para o Regimento
>> de Cavalaria nº3 em Estremoz, foi mobilizado para o Ultramar no >> Batalhão nº
>> 490 para a provincia da Guine esteve lá nos anos de 1963 a 1965
Rui Manuel dos Santos Pires
c/Virgen de las Angustias nº 16
28890
Loeches-Madrid- Espanha
____________________________
: raulpsinos
Enviada: sex 12-08-2011 15:10
Para: airsoftrm67@gmail.com
Assunto: Meu Caro Rui Santos PiresEm resposta ao seu pedido junto os numeros de telefone para contactar. Este telefones foram-me dados por um amigo do Porto.
Espero que tenha sucesso.
Um Abraço Raul PSinos .
_________________
tlf. tlm. 232 912 219 – 919 650 566
É o contacto de quem organiza os encontros anuais do BCav490. Não sei o nome. Mas parece-me que poderá ser por aí a possibilidade de encontrar o Domingos Tomás Pires...
Abraço
A. Marques Lopes
_________________
nota - Deve haver aqui alguma confusão por parte do Marques Lopes, porque parece que a pessoa procurada é JOSÉ ANTÓNIO PIRES e não DomingosTomaz Pires, seu Pai e avô do signatário.
O Pica, como sempre, fez as diligências necessárias.
Procurando familiar do BCAV 490
Olá
Meu nome é Rui Manuel dos Santos Pires nascido en Lisboa no ano
1967, filho de Jose Antonio Pires nascido en Veiros-Extremoz, neto
de Domingos Tomaz Pires
Gostava saber se alguém pode me ajudar em conseguir informações de meu pai, pois eu trouxe para a Espanha em 1974 e nunca conheceu meu pai so ten estes datos dei que foi para a Guiné.
Nome do meu pai:
> Jose Antonio Pires
> Datos de o meu pai.
> Nascido en Veiros-Extremoz
> Data nascimento a duas pode ser.: 9/6/1944 o 19/7/1942
>
> Nomo do Pai meu pai: Domigos Tomáz Pires
>> Tirou a recruta no Quartel em Beja, depois já pronto veio para o Regimento
>> de Cavalaria nº3 em Estremoz, foi mobilizado para o Ultramar no >> Batalhão nº
>> 490 para a provincia da Guine esteve lá nos anos de 1963 a 1965
Rui Manuel dos Santos Pires
c/Virgen de las Angustias nº 16
28890
Loeches-Madrid- Espanha
____________________________
: raulpsinos
Enviada: sex 12-08-2011 15:10
Para: airsoftrm67@gmail.com
Assunto: Meu Caro Rui Santos PiresEm resposta ao seu pedido junto os numeros de telefone para contactar. Este telefones foram-me dados por um amigo do Porto.
Espero que tenha sucesso.
Um Abraço Raul PSinos .
_________________
tlf. tlm. 232 912 219 – 919 650 566
É o contacto de quem organiza os encontros anuais do BCav490. Não sei o nome. Mas parece-me que poderá ser por aí a possibilidade de encontrar o Domingos Tomás Pires...
Abraço
A. Marques Lopes
O Hipó e a sua algarvia...
“Al vezes”, influência, daqui, da terra dos “Al’s” e dos figos de pita, (*) que os pariu, picam mais que os ouriços-cacheiros !, quase me passa pela cabeça que, alguns de vós, poucos, me andam, não sei se, acintosamente ou, por santa inocência, a catalogar de Hipo.
Embora, venha hesitando em abordar o assunto, por temer tentar negar uma evidência, o certo é que, o meu nome próprio, herdado pelo baptismo do meu padrinho, derivará, etimologicamente, do grego (e é bem capaz de dizer a letra com a careta).
É, assim:
Hipos (cavalo);
Litos (de pedra);
O que dará, nem mais, nem menos,
Hipos+litos = Hipólito = cavalo de pedra.
Até no nome, continuo sem sortinha nenhuma ! . . .
“Portantos”, por conseguinte e consequência, ide chamar asno (hipo) ao burro do moleiro da v/santa terrinha que, no novas oportunidades, aprendeu a ler e escrever mas, quando já se desabituara de comer, patinou . . .
Uma pena . . . Apesar de não insubstituível, é triste ver desaparecer, de entre nós, mais um portento de cultura, logo agora que, para a maioria, o livro de cabeceira obrigatório é a Bola, o Record, o Jogo ou, vá lá, do mal o menos, a Playboy !
(A frase seguinte está encriptada...)
Ouvi, mesmo agora, duma algarvia, esta, para interiorizar, antes da deita:
Com deus me “dêto”,
Com deus m’agasalho
Uma mão no “pêto”
A outra no . . . (pareceu-me, será?) . . . soalho.
PS (post-scriptum, por môr das confusões): sonhei ou algo me alerta de que, um ou dois, fregueses se preparam para lançar uma OPA à, já, muito debilitada economia cá da minha tabanca.
Aviso: o crédito da Cofidis, foi-se, há muito; vou, já, no da Cetelem, quase, quase a esvair-se, agora sem os reembolsos directos, com a alimentação e veterinária do canito e os devaneios de anteriores golpes de mão de que fui vítima, num passado recente.
Ir-me-á valer, de certezinha absoluta, a amizade solidária dos amigos (amigos na guerra, amigos para sempre), a quem irei, obrigatoriamente, recorrer, sob pena de, acossado pelos cães dos credores, só parar na “Inbicta”, onde me valerá o pau de marmeleiro que, à cautela, mantenho atrás da porta.
E, também, conto com a ajuda do kipper (o tal cão, fera q. b.) que, para o efeito, já comecei a treinar.
(*) Oh tu, militante e puritano censor, enxergaste, porventura, desta vez, o realce e o negrito da vírgula, ou preferes um raspanete da alta autoridade respectiva ?!!!.
Tenho dito.
Hipólito (Hipolitinho, pr’ós amigos)
Nova Sintra - as memórias
Caros companheiros
Acerca deste mote sempre quente, o de Nova Sintra, publicamos há dias um excelente artigo do n/Alf. Vaz Alves, acompanhado duma foto da época e do local de Nova Sintra, elucidativos do que ali se passou e que viveu na péle todo aquele drama, desde a desbravação da mata, o atravessar de rios e bolanhas, até chegar ao ponto “X” préviamente marcado, o do futuro aquartelamento de Nova Sintra. É certo que foram dias dificeis com ataques permanentes durante o trajecto por mata serrada, com mortes e feridos.
Entretanto surgiu o comentário do nosso companheiro Joaquim Caldeira, furriel da CCAÇ 2314, que põe em causa factos e datas e até mesmo a foto.
Se se quiserem dar ao trabalho de ler as crónicas assinaladas no lado esquerdo deste Blog, na rubrica “Etiquetas ordenadas pela frequência de visitas” e clicando na posição “Nova Sintra”, vão encontrar dois artigos muito interessantes de seu titulo “NOVA SINTRA 100 METROS DE HORROR” e “NOVA SINTRA – O PÃO QUE O DIABO AMASSOU”.
No primeiro, da autoria do nosso companheiro Pica Sinos, é relatado ao pormenor o inicio da Batalha de Nova Sintra, em que intervieram pelo menos a CCS do BART 1914 com Sapadores, Atiradores, Serviço de Transportes, Transmissões, etc, Pelotão de Morteiros, Pelotão Daimlers, CART 1743, CART 1802, Pelotão de Milicias e concerteza também a CCAÇ 2314, embora o Joaquim Caldeira não reconheça na foto nenhum companheiro da sua Companhia.
Mas neste artigo do Pica Sinos, os factos relatados são baseados em documentos oficiais de carácter Confidencial à época, o que quer dizer há 43 anos atrás. A memória pode-nos atraiçoar, mas os documentos não. E surgem nestes artigos, comentários de vários companheiros, que comprovam o que ali se passou.
Nesta crónica é assinalado o dia 6 de Maio de 1968 como o da partida da CCAÇ 1802 de S.João (destacamento avançado de Bolama), com 17 viaturas, e a sua chegada ao ponto do futuro quartel às 15 horas, onde já se encontravam as tropas vindas de Tite.
Saber quem pôs o pé primeiro, quem colocou a primeira pedra parece ter pouca ou nenhuma importancia dada a grande quantidade de feridos e mortos, em combate ou acidentes, que as nossas tropas sofreram naquelas paragens onde na verdade, “foi comido o pão que o diabo amassou”.
O que interessa foi o esforço, os sacrificios, feridos graves e ligeiros, estropiados e mortos, que tão desgraçadamente as NT sofreram em Nova Sintra.
Posto isto, parece-me que descrição do Alf. Vaz Alves é coincidente nos factos e nas datas com os relatos de outros companheiros – Sapadores, Atiradores, Morteiros, Reabastecimentos, Transmissões, Daimlers, etc, estacionados em Tite e que intervieram na Campanha de Nova Sintra.
E para que se relembre tudo o que foi relatado, transcrevemos a seguir aqueles dois artigos.
Abraços para todos
LG.
___________________________________
Meu Caro Guedes
Faz o favor de ler o artigo que eu escrevi sobre Nova Sintra Vem lá referidas datas de quem é quem. Atenção os movimentos e as respectivas datas foram copiadas de sitrepes. O algodão não engana...
Podes puxar por Nova Sintra – O Pão que o diabo amassou
São 2 artigos ou então republica-los.
Dizer ainda que eu vejo na fotografia o Vaz Alves e não creio Que a fotografia fosse tirada noutra “estância de férias” na Guiné.
Uma coisa te garanto quem não este lá fui eu (e tu também não...) e ainda hoje tenho Pena de quem lá esteve a passar todo aquele horror
Tem um bom dia Pica Sinos
___________________________________
Faz o favor de ler o artigo que eu escrevi sobre Nova Sintra Vem lá referidas datas de quem é quem. Atenção os movimentos e as respectivas datas foram copiadas de sitrepes. O algodão não engana...
Podes puxar por Nova Sintra – O Pão que o diabo amassou
São 2 artigos ou então republica-los.
Dizer ainda que eu vejo na fotografia o Vaz Alves e não creio Que a fotografia fosse tirada noutra “estância de férias” na Guiné.
Uma coisa te garanto quem não este lá fui eu (e tu também não...) e ainda hoje tenho Pena de quem lá esteve a passar todo aquele horror
Tem um bom dia Pica Sinos
___________________________________
100 METROS QUADRADOS DE HORROR,
FECHADOS POR ARAME FARPADO
Enfraquecida a acção da guerrilha na zona, resolvidos os problemas das acessibilidades e escolhido o local, agora o objectivo estava virado para a construção do aquartelamento em Nova Sintra.
Na manhã do dia 6 de Maio de 1968 parte de S. João a C. Caç. 1802, com 17 viaturas. Chega ao local para o novo aquartelamento cerca das 15 horas do mesmo dia. Já ali se encontravam as NT, saídas de Tite. Nenhuma destas duas forças militares, nos itinerários então percorridos, teve contacto com o IN.
<!--[if !vml]--><!--[endif]-->
Havia a noção geral que a guerrilha jamais aceitaria a construção de um novo aquartelamento numa zona que sempre dominara. Todos tinham a noção que o IN voltaria a reunir forças para retomar a actividade e procurar repor o prestígio que gozava naquela região. Sabíamos do seu grande enfraquecimento, abalado pelas perdas bélicas e humanas, sobretudo desde a sua neutralização em Bissássema. Mas também se sabia que os seus recursos estavam longe de esgotados. Impunha-se começar os trabalhos na instalação do aquartelamento e proporcionar, com o feito, a melhor segurança para a defesa dos objectivos e das NT.
Despejadas as viaturas, os trabalhos iniciaram-se a ritmo acelerado. Isolou-se o perímetro com o arame farpado, construíram-se valas-abrigos, a norte e a nascente, talvez com 2 metros de largo e 5 metros de comprimento e as latrinas. Deu-se começo às fundações para os futuros pavilhões e postos de guarnição para a defesa das posições. Começou-se também a limpar terreno com vistas a abertura da pista de aterragem.
.
.
Conta-me o ex-Furriel Sapador, Domingos Monteiro, que
…as moscas e os mosquitos eram “personagens” deveras e muito incomodativas de dia. Á noite faziam desesperar com as sucessivas picadas, nem mesmo roupa que trazíamos vestida as conseguia travar!
Acrescentando que …
As horas que contava, na escuridão daquela selva, mais pareciam dias.
As chuvas também estiveram presentes, quando, passados 2 dias de medos e incertezas, pela calada da noite, o perímetro de terra e lama onde as NT se aquartelavam, com cerca de 100 m2, é atacado, em força, por cerca de 100 homens, bem armados e municiados mas prontamente repelidos com pesadas baixas!
As chuvas também estiveram presentes, quando, passados 2 dias de medos e incertezas, pela calada da noite, o perímetro de terra e lama onde as NT se aquartelavam, com cerca de 100 m2, é atacado, em força, por cerca de 100 homens, bem armados e municiados mas prontamente repelidos com pesadas baixas!
Pelas manhãs e durante o dia os trabalhos continuavam. Patrulham-se estradas e caminhos, aqui ali rastos de sangue e material bélico ligeiro deixado para trás. A cozinha de campanha enquanto não fez fumo, os alimentos eram das rações de combate, que sempre transportávamos. Na água que bebíamos colocávamos comprimidos para evitar as diarreias e febres. Um dado dia foram distribuídas 2 cervejas a cada militar, até nisto tive azar, porque ainda hoje não gosto desta bebida!
.
.
Por sua vez o Carlos Leite (Reguila) refere
Na sucessão dos dias tudo era igual, o trabalho com as pás e com as picaretas calejava-me as mãos, o medo era constante, mas a disposição para a luta sobreponha-o. O cantarolar da passarada não nos parecia ter o mesmo encanto. No terreno lamacento, alguns sapos, eram “sticados” pela pá ou com a picareta, aqui ali ouvia-se o ladrar de um cão. Pelas noites dentro o sofrimento era maior, o vento ora forte ora brando, fazia-me confundir o “som” da selva. Eram nestes momentos que a falta da família e dos meus amigos mais se sentia. Ouvia as flagelações do IN a outros aquartelamentos e questionava-me – quando será a nossa vez?
<!--[if !vml]--><!--[endif]-->
O aquartelamento de Nova Sintra, durante o mês de Maio, foi flagelado 7 vezes, causando 1 morto (a 13/05) e 19 feridos graves que, muitos destes, foram evacuados, nessas mesmas noites, por helicópteros directamente para Bissau. Do lado contrário as mortes confirmadas foram em número de 26 e feridos 31.
A 05/06/68 o aquartelamento de Nova Sinta foi visitado pelo CMDTChefe acompanhado pelo CMDT do Bart.
A 11/07/68 foi inaugurada a iluminação exterior e, a
19/07/68 a pista de aterragem por uma avioneta, um Dornier 27.
A 11/07/68 foi inaugurada a iluminação exterior e, a
19/07/68 a pista de aterragem por uma avioneta, um Dornier 27.
A luta, essa, estupidamente tinha que continuar, causando continuadamente mortes e feridos de ambos os lados, estragos e desgraças bem ao gosto daqueles que as fomentam.
Pica Sinos
Nota:As fotos são do museu do Jordão Justo
_____________________________
Cumulativamente desencadearam, aos diversos aquartelamentos e posições agrupadas nas regiões afectas (exemplo Bissássema), 47 flagelações, com destaque para Fulacunda e Tite, causando às NT, até ao final de Março de 1968, 8 mortos (2 por afogamento) cerca de meia centena de feridos, alguns de muita gravidade e com necessidade de serem evacuados para o continente, e ainda 3 capturados.
Sabemos que as moedas têm duas faces, as guerras também. Até ao começo da implementação do quartel em Nova Sintra, – Maio de 1968 – nas operações, de diverso tipo, desencadeadas pelas companhias aquarteladas em Tite, Jabada, Fulacunda, Empada, pelo destacamento de S.João e por Companhias de Pára-quedistas (2 vezes), estima-se que foram mortos 128 guerrilheiros, feridos, mais do dobro, presos ou capturados 117, dos quais foram soltos por falta de interesse estratégico/militar 112. Destruído 3 de acampamentos militares, 12 canoas e capturadas várias toneladas de material de guerra, pesado e ligeiro, onde se inclui 1 canhão s/recuo.
_____________________________
Nova Sintra - O pão que o diabo amassou...
Meus amigos O prometido texto sobre Nova Sintra aqui está, escrito em duas partes. O Pica é o seu autor.
Para ele o nosso abraço.
NOVA SINTRA – O PÃO QUE O DIABO AMASSOU
O saudoso Ramiro Neto, destacado na cozinha do nosso Batalhão, dias antes da partida, disse: - …Meu Capitão, eu tenho muito medo, não me deixe ir para N.Sintra, tenho um mau pressentimento… -
…Não sei? Vou falar com o Comandante, logo te digo…respondeu-lhe o Capitão. –
…Então meu Capitão já tem resposta para mim? –
…Tenho! O Comandante não abre excepções. Vão todos. Ninguém fica para trás…olha que insisti bastante…não consegui demovê-lo!
Aquando da flagelação IN, 7 dias depois de estacionadas as NT em Nova Sintra, o nosso bravo camarada morreu. Morte originada pelo estilhaço do rebentamento de uma granada de morteiro. Pensava ele estar protegido pela tampa da chapa de bidão, que colocou na vala-abrigo construída. O fragmento entrou pelo único buraco que deixou aberto. Foi a 13 de Maio de 1968.
Quem esteve por lá sabe que, na zona operacional do comando do Bart 1914, a tabanca de Tite, que ladeava a sul e a norte o aquartelamento das NT, era (a seguir a Bissássema com dimensão para além do triplo), o maior agregado populacional desta área, seguindo-se os das regiões de Jabadá e Fulacunda.
Também é do conhecimento que esta dispersão populacional, contornada por rios, bolanhas e matas, rica no cultivo orizícola, em pecuária (bovino) e na suinicultura (suínos), possibilitava, ao IN, grande mobilidade no desencadear acções de guerrilha, para flagelação aos nossos aquartelamentos, para controlo demográfico e político-administrativo das populações. Consequentemente, ainda permitia sacar, das populações, farto abastecimento em géneros e roupas (panos), e elevado recrutamento de carregadores. Com vistas a desencadear as já citadas flagelações, com armas pesadas, às nossas posições aquarteladas na região, nomeadamente em Tite, Enxudé, posto avançado e porto fluvial de Tite, Jabadá, Fulacunda, Empada e ainda em S. João, destacamento avançado de Bolama. Assim como na montagem de emboscadas, colocação de minas e armadilhas com vistas a barrar ou mesmo anular o avanço no território das NT. Toda esta magnificência operacional do IN, obrigava, no ponto de vista militar, a implementar um vasto e variado conjunto de operações, que foram em número de 117, até à ocupação do terreno de N. Sintra, visando desobstruir estradas e caminhos há muito emaranhados por denso matagal, possibilitando fácil acesso das NT ao patrulhamento, batidas, emboscadas e outras acções de confronto, com vistas ao enfraquecimento e despejo do IN da região.
Desobstruídas as estradas de terra batida, reparados, reconstruídos ou mesmo construídos os pontões, permitiu utilizar outros meios, até aí impossibilitados, nomeadamente os carros de combate – Daimlers – (jeeps blindados) e de transportes das tropas em viaturas ligeiras e pesadas, concludentemente a uma mais rápida ligação aos aquartelamentos implantados na região, proporcionando eficazes controlos territoriais e populacionais, fixar tropas e materiais de engenharia no terreno, nomeadamente em Nova Sintra, visando a construção de um novo quartel.
Dos nossos opositores, todas estas acções não podiam ficar sem resposta. Detentores do território, organizados, bem armados e municiados, procuravam, energicamente, impedir a progressão das NT, montando, por efeito de nomadização, várias emboscadas, colocando dezenas de minas no terreno e granadas accionadas por fio de tropeçar. Destruíram, por várias vezes, os pontões já implantados, colocavam abatizes armadilhados, obstáculos constituídos por grossos ramos de árvores, fortemente ligados ao solo com as extremidades aguçadas, tudo obviamente com vistas ao impedimento da progressão das NT.
Cumulativamente desencadearam, aos diversos aquartelamentos e posições agrupadas nas regiões afectas (exemplo Bissássema), 47 flagelações, com destaque para Fulacunda e Tite, causando às NT, até ao final de Março de 1968, 8 mortos (2 por afogamento) cerca de meia centena de feridos, alguns de muita gravidade e com necessidade de serem evacuados para o continente, e ainda 3 capturados.
Sabemos que as moedas têm duas faces, as guerras também. Até ao começo da implementação do quartel em Nova Sintra, – Maio de 1968 – nas operações, de diverso tipo, desencadeadas pelas companhias aquarteladas em Tite, Jabada, Fulacunda, Empada, pelo destacamento de S.João e por Companhias de Pára-quedistas (2 vezes), estima-se que foram mortos 128 guerrilheiros, feridos, mais do dobro, presos ou capturados 117, dos quais foram soltos por falta de interesse estratégico/militar 112. Destruído 3 de acampamentos militares, 12 canoas e capturadas várias toneladas de material de guerra, pesado e ligeiro, onde se inclui 1 canhão s/recuo.
(Continua Pica Sinos As fotos são do museu do Justo e do Carlos Leite (Reguila)
Raul Pica Sinos disse ainda...
Estava de serviço no Centro de Cripto, quando foi atacado., uma das vezes, o aquartelamento em Nova Sintra. Nessa noite, o ataque às NT era constante e no quartel em Tite a correria das várias patentes para o Centro de Transmissões foi de modo a chamar a minha atenção e de outros. Apercebi-me que alguém estava agarrado ao microfone do rádio dizendo aos presentes (2 Capitães entre outros) …eles dizem (repetidamente) que façam troar Stª Barbara! Aquele conjunto de oficiais olhava uns para os outros interrogados. Pois não entendiam tal pedido. Nem constava a frase no livro criptado que eram portadores os oficiais, quando em operações e, que um dos Capitães, (vejo ao entrar no Centro de TMS com o ex-furriel Cavaleiro) desfolhava nervosamente. E o operador de rádio continuava a dizer …eles dizem, façam troar Stª Barbara…Façam troar Stºa Barbara.. Quando de rompante o Cavaleiro e em segundos disse: Óh pá que merda (era típica esta expressão do Chevalieir) …o que eles pedem é o fogo de artilharia. Pedem que os obuses funcionem. É isso é isso, É isso, disse um Capitão loirinho que por lá andava e tinha na ideia que era mais bravo que os outros. E assim foi, mas enquanto não souberam das coordenadas para fazer o fogo que era pedido, a nossa malta embrulhava. Ainda hoje não percebo porque é que o oficial em Nova Sintra não foi claro no pedido. Era tão simples dizer …ponha os obuses a funcionar porque estamos a ser atacados. Enfim
Os apontamentos do Marinho que me pede para publicar
Fui diversas vezes em D.O., Dakota e Heli, lançar artigos para o aquartelamento de Nova Sintra, tais como pregos, correio, pão, rações de combate e outros artigos em virtude de não poderem ser reabastecidos ou entregues por via terrestre. Uma das vezes que fui lançar artigos, tinha chovido muito e eu comentei para o piloto furriel Honório, que era um crime lançar os sacos de pão naquele terreno, todo encharcado e enlameado, a resposta do Honório foi…eles têm que se desenrasquem pois não temos outra hipótese. Não sei em que data, mas foi quando o Cap. Vicente estava a substituir o Cmdt da C.Caç 1802, evacuado, a mina levou-lhe uma perna.
O Cap. Vicente, sem passar cavaco a ninguém, partiu de Nova Sintra, com viaturas e parte de um pelotão da Companhia, passando por uma estrada que todos nós tínhamos muito medo, a estrada de IUSSI, ou seja “a mata do Jorge”, todos ficamos admirados, por ele não ter tido qualquer contacto com o In. O CMDT Hélio Felgas ao vê-lo em Tite, ficou em ponto de rebuçado. Deu-lhe uma grande descompostura, dizendo-lhe que ele com a sua leviandade pôs os seus subalternos em perigo, em risco de vida, respondendo o Cap. Vicente…eu sou um oficial da Academia e não um oficial básico…ele considerava que os oficiais que não passavam pela Academia eram básicos. Nesse mesmo dia estava eu a chegar com um carregamento que tinha ido levantar ao Enxudé e, logo que me viu disse-me…Tenho que ver o que vem nas guias. Quando as entreguei, que mal olhou, começou a mandar colocar nas viaturas que trouxera de N.Sintra o que queria, dizendo-lhe eu que tinha caixotes com dobrada.
Essa merda os teus companheiros não a comem. “ A dobrada era liofilizada que depois demolhada os pedaços com 2cm passavam a ter 10cms. Comemos nós em Tite”
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Faleceu o nosso Alferes Vasconcelos Forra
Do nosso companheiro Carlos Pires recebemos o seguinte email:
"Caro amigo Raúl
Espero que esteja bem de saúde, assim como a sua família.
Nós por casa estamos todos bem, graças a Deus.
Venho por este meio comunicar-lhe, uma triste notícia que aconteceu no dia 29 passado:
Faleceu o meu compadre e nosso Alferes - José Vasconcelos Forra, quando estava no Algarve de férias, com a sua esposa.
Agradecia que providenciasse que o seu nome fosse eliminado, na lista do nosso grupo.
Apresento os meus cumprimentos
Carlos Pires"
"Caro amigo Raúl
Espero que esteja bem de saúde, assim como a sua família.
Nós por casa estamos todos bem, graças a Deus.
Venho por este meio comunicar-lhe, uma triste notícia que aconteceu no dia 29 passado:
Faleceu o meu compadre e nosso Alferes - José Vasconcelos Forra, quando estava no Algarve de férias, com a sua esposa.
Agradecia que providenciasse que o seu nome fosse eliminado, na lista do nosso grupo.
Apresento os meus cumprimentos
Carlos Pires"
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Nova Sintra - pelo Alf. Vaz Alves
Braga, 31 de Julho de 2011
Amigo Guedes
Um abraço antes de mais e as desculpas por só agora ir ao encontro do que me solicitaste. Já tinha há tempos o “rascunho” feito desta história, mas perdi-lhe o sitio onde o tinha guardado. Ontem, ao passar a vista no blog, envergonhei-me ao ler a tua carta e prometi a mim mesmo que de hoje não passava a história da foto do comandante Spínola.
Não sei se a foto tem alguma data no verso mas ela anda à volta do dia 7 de Junho de 1968.
A minha referencia vai para essa data uma vez que tinha passado um mês sobre o inicio da construção de Nova Sintra.
Nesse dia o comandante Felgas disse-me que no dia seguinte viria a Nova Sintra a Companhia Operacional de Tite e por sua vez a Companhia de Nova Sintra ia a S.João buscar reabastecimentos. Nessa altura a ementa estava limitada a arroz com chouriço e chouriço com arroz.
A chegada dos helicópteros com a poeira do quartel ainda em construção, encheu-nos a panela de areia e arroz. Ao mastigar é que notávamos a diferença.
O coimandante Spínola viu a situação e no dia seguinte enviou alguns helis com frango e outros alimentos.
A situação era um pouco “gágá” em termos de segurança, uma vez que fiquei só no quartel, a fazer a defesa e a segurança aos helicópteros, com alguns cozinheiros e elementos do meu pelotão, num total de cerca de uma dúzia de homens. Isto porque o meu pelotão (Nativos 66) tinha sido reduzido por ferimentos no 1º. ataque ao quartel, em 10 de Maio.
Nesse ataque vi uma série de granadas de morteiro a explodirem nas árvores em frente ao meu abrigo.
Essas que explodiram em cima das árvores, espalhavam os estilhaços e atingiam as pessoas em especial na cabeça. Uma das que não explodiu em cima, veio pela árvore abaixo, atingir o Sapador Neto, que faleceu dali a dois dias.
Algumas dessas granadas, pelo que me disse o rádio telegrafista, que estava com o meu pelotão, andaram por bem perto de mim, com os estilhaços a ficarem marcados na árvore do meu abrigo.
Nesta dia, melhor, a esta hora lembrei-me de Bissássema e até a sombra dos baga-baga, lembravam alguém a rastejar na nossa direcção. Aliás nesse ataque os “turras” chegaram a tropeçar no arame farpado.
Nesse período de Bissássema, eu não estava em Tite, porque fui destacado pelo Quartel General, para fazer exames aos que tivessem 3ª. ou 4ª. classe, como se dizia na altura.
Foi o período negro do Batalhão em que, além de Bissássema com a captura pelo IN do Alf. Rosa e dos Soldados Contino e Capítulo, (da CART 1743) rapazes das transmissões, aconteceram a morte do Alf. Carvalho, do Soldado Victor e do furriel Rato, que trabalhava ao meu lado na sala de operações, em Tite.
Durante esses quatro meses o Comandante Felgas pressionou o Quartel General de tal maneira que tive de voltar a Tite. Ele argumentava que eu lhe fazia falta, mas o que é certo é que logo a seguir me mandou para Nova Sintra, como que “castigado”, embora eu nada fizesse para sair para os exames. Conheci no entanto vários pontos da Guiné e cheguei a pernoitar em Madina do Boé (o Algarve da Guiné...).
Com estas e com outras já não te falava na foto.
Em primeiro plano estão o Alf. Domingos Sá, um antigo colega meu do Liceu de Braga e que faleceu num dos ataques a Nova Sintra, em finais de 1968.
Logo a seguir aparece o Cap. Vicente que estava a comandar a Companhia Operacional em Nova Sintra, a substituir um Capitão que tinha sido apanhado por uma mina anti-pessoal.
Voltando ao caso da foto, queres saber o porquê da foto com toda a gente em calções e tronco nu? É simples. Era assim que se andava há um mês, com barba por fazer, vestidos o mais aligeirado possivel. Ninguém avisou da ida do Gen. Spínola e os guarda fatos estavam “fechados”, com as fardas nº. 1.
Aliás, o nosso banho era tomado com uma mangueira não sei de quantos polegadas e um motor a puxar água dum charco. Tenho a impressão que no meu album, que há tempos vos enviei, existe lá uma foto do banho, penso que com o Cap. Vicente, o Alf. Sá e eu.
Sem mais, aí vai mais um abraço e telefona quando receberes este “arrazoado”.
Vaz Alves
Subscrever:
Mensagens (Atom)















